8 - Museu da Maré
Endereço: Av. Guilherme Maxwel, 26 - Maré, RJ
Aluna: Gabriella Lopes Pereira
O Museu da Maré é localizado na Av. Guilherme Maxwel, 26 Rio de janeiro, é um Museu Social Criado por jovens moradores integrantes da CEASM - Centro de Ações Solidárias da Maré que tem como objetivo exaltar a civilidade da população que ali reside, registrar, preservar e divulgar a história das comunidades da Maré, além de criar uma auto-representação da favela da Maré fortalecendo uma imagem positiva da favela. A favela da Maré nasceu junto com a idéia da criação da Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela, uma das hipóteses para a criação dessa favela às margens dessas avenidas era o fato de que a população pobre expulsa de áreas agora tidas como centros Urbanísticos da cidade pudessem ter um pouco mais de “conforto” pois essas avenidas tornariam o caminho ao trabalho em zonas mais distantes mais rápido e tornariam o acesso mais fácil para as pessoas que ali moravam. A idéia do museu foi criada a partir de 1998 após a criação da Rede Memória da Maré e com a parceria da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) que contribuiu para a realização de oficinas de Museologia na sede do CEASM, isso tudo culminou na formação de uma identidade da população que ali estava residente e uma exaltação da cultura popular daquela favela, porém só então em 2005 o projeto Cultura Viva - Pontos de cultura e o apoio técnico do departamento de museus do IPHAN foi iniciada a implantação do Museu da Maré que ficou pronto em 2006 e está lá até então.
O Museu da Maré é de grande importância para toda a comunidade do Rio de Janeiro pois nele é retratada a resistência de uma classe substancialmente marginalizada por processos históricos dos quais “os sujeitou a períodos de hostilidade entre longos períodos de negligência geral por parte do governo em toda a sua história”, um exemplo de período de hostilidade foi 1979 com o Projeto Rio que visava a erradicação da Favela da Maré por meio de demolições de “barracos” e de casas que não possuíam título em nome da “Urbanização da estrutura local” dos quais seriam criados conjuntos habitacionais públicos, ignorando todo o esforço da população e toda historicidade que aquelas casas tinha para seus habitantes que a construíram com o esforço, muitas das vezes, de uma vida inteira para deixá-las a seus descendentes.
A história de resistência e luta da Favela da Maré se confunde muitas das vezes com as histórias de muitas outras favelas Cariocas que apesar de todas as adversidades conseguiram demonstrar seu valor histórico e cultural para toda a sociedade do Rio de Janeiro, brasileira e internacional através de manifestações culturais, como por exemplo o carnaval Carioca que podemos usar como os principais símbolos carnavalescos, e que de fato me representam de forma a me incluir na comunidade conhecida como Oswaldo Cruz de Madureira as escolas de samba Portela, Tradição e Império Serrano.
A população do bairro do Rio das Pedras ou como é chamado hoje em dia o bairro de Oswaldo Cruz, era composta principalmente de escravos que faziam parte do engenho da Portela que era uma das posses da sesmaria do Vale de Inhaúma, esse engenho tinha como dono o português Miguel Gonçalves Portela que nomeava seu engenho com seu sobrenome. Esse engenho se localizava na região conhecida como Rio das Pedras, que era uma referência ao rio que cortava a região e delimitava a fronteira entre os engenhos (esse rio passa exatamente na esquina da minha casa, porém hoje encanado), ali após o fim da escravidão enfrentou um período de decadência em suas plantações e a partir daí o engenho foi desfeito e muitas das suas terras cedidas a escravos e muitas outras compradas, o fato é que a história novamente se confunde porque após a abolição da escravidão em 1888 a população pobre da cidade que foi expulsa do centro da capital por motivos de reforma urbanística na cidade e passou a residir por essa área da cidade (Bairro de Oswaldo Cruz que passou a ter esse nome devido a morte desse médico sanitarista, não há relatos que entrelacem o médico à região em questão). Era comum mesmo com as dificuldades encontradas pela população as festas religiosas, batucadas e jongo que animavam a sociedade excluída e marginalizada dessa região, e mais ou menos 35 anos mais tarde após a escravidão, em 1923 nascia a Portela, ou o que muitos chamam do projeto da Portela em sua forma mais “rústica”, nascia como bloco de carnaval e desde sempre vem revolucionando com a sua forma de fazer carnaval, porém não se pode falar de Portela sem fazer menção a Tradição que nasceu em 1984 e como muitos sabem menos ainda a tradição nasceu de uma briga interna que aconteceu na Portela e então passou a ser sua principal rival. Sem esquecer o Império Serrano de Madureira, criado em 1926 seus primórdios nasceram a partir de um bloco carnavalesco chamado de “Cabelo da mana” assim como seu rival Portela e sua história assim como a de todo vale de Inhaúma é negra e hoje é reconhecida como sendo um dos maiores orgulhos da região e também um dos maiores orgulhos do Rio de Janeiro.
A escolha do Museu da Maré foi uma escolha acordada entre os participantes do grupo porque há três pessoas que moram em localidades muito próximas em Madureira, no caso resolvi fazer uma relação entre o Museu da Maré com o assunto das escolas de Samba dessa região e quis demonstrar como a comunidade se mobiliza para que mesmo com a exclusão não percam sua voz e sua força de lutar, mostrando que mesmo que com toda a desigualdade que vivemos hoje em dia, a comunidade ainda tem força e que pode falar por si só de forma a mostrar toda a capacidade que ela tem e toda alegria e cultura que todo esse povo guarda dentro de si.
BIBLIOGRAFIA
Considerações do grupo:
Débora: Não conheço a favela da Maré, mas conhecia o Museu da Maré através da pesquisa sobre o projeto Cultura Viva. Em primeiro plano, a informação que me deixou mais interessada na pesquisa foi a criação da favela da Maré. Com a apresentação da pesquisa, a minha relação com o lugar se transformou. Anteriormente minha relação com o Museu era encarar como uma parte importante do projeto Cultura Viva, com a pesquisa minha relação se transforma para encarar o Museu da Maré não só como parte do projeto, mas também como um espaço de resistência e afirmação dos moradores da Maré. Após a pesquisa consigo ver o outro lado, talvez o mais importante, da implantação do Museu da Maré e da comunidade da Maré.
Isabel: Nunca conheci o Museu da Maré, porém, sempre ouvi falar de sua importância para a comunidade onde está inserido. Gostei bastante de sua relação com as escolas de samba que não conhecia, fiquei com vontade de saber mais do museu e sua relação mais íntima com a comunidade que deve ser muito bacana.
Isabel: Nunca conheci o Museu da Maré, porém, sempre ouvi falar de sua importância para a comunidade onde está inserido. Gostei bastante de sua relação com as escolas de samba que não conhecia, fiquei com vontade de saber mais do museu e sua relação mais íntima com a comunidade que deve ser muito bacana.
Isabela: Fiz curso na UFRJ do fundão durante um ano, pegava BRT e por conseqüência passava em frente a entrada da Maré, e não vou negar, a impressão que tinha do local era sempre relacionada a violência, por já ter presenciado muitas ações. A descoberta desse Museu me fez desconstruir meu preconceito e me lembrar de que o local não define a população, é incrível como ações conjuntas podem resultar em coisas tão boas. Sua história é interessante e essencial para entender o lugar hoje.
Júlia: Nunca visitei o museu ou a Maré, mas lembro bastante sobre as notícias no ano da inauguração do museu, e já o via como algo bastante para a comunidade local. Com a entrada na museologia, frequentemente há comentários e ligações sobre a importância desse museu não só para os moradores, mas para todo o Rio de Janeiro e além de nossas fronteiras. Há dificuldades mas com persistência e resistências as barreiras e preconceitos são quebrados e levados às gerações futuras.
Larissa: Não conheço o Museu da Maré, porém, tenho muita vontade de visitá-lo. Percebo sua relevância para os moradores da Maré, e me entristece saber que este museu é tratado com indiferença por moradores de outros locais. Para mim, o museu da Maré representa um movimento de resistência, e por conta disso, toda a população da cidade deveria estimá-lo.
Natália: Nunca visitei o Museu da Maré, mas já ouvi muito sobre ele e os projetos lá realizados, fui apenas a um evento que ocorreu no centro de cultura da Maré - Cine Diversidade -, mas minha relação com esse local se limita a isso. É essencial perceber as favelas a partir de seus significados históricos, sociais e culturais, como esses são espaços efetivos de resistência, carregados de significados, representações, marcados por preconceitos e estigmas, mas que os transcende. Por meio do trabalho fica claro que o Museu da Maré aparece como um símbolo mais sólido de todo esses processos de luta e resistência que as favelas e sua comunidade vivem.
Nicole: Conheço muito pouco da Maré, mas sempre que conhecidos meus que moram lá falam sobre, percebo como a ligação entre eles é forte, como é mais do que ser morador; e, pelo trabalho da Gabriella, gostei muito de saber que essa ligação se expandiu até o museu. São espaços e expressões de resistência ganhando cada vez mais espaço nessa sociedade excludente e desigual.
Pedro: Eu nunca estive na
instituição. Mas, vendo a importância social e cultural do Museu da Maré, tenho
muita vontade de visitá-lo
Rayssa: Nunca fui a Maré e conheci a existência deste museu apenas ao entrar para a UNIRIO. Entender a história e os traços culturais destas regiões marginalizadas é essencial para os que vivem nestes locais e para todos, pois desta forma entendemos mais da nossa própria cidade, entendendo ser este o principal objetivo do trabalho: nos enxergarmos em todas as realidades socioculturais do Rio de janeiro, cada um conforme o seu repertório.
Thiago: Conheço muito pouco sobre a Maré e não conhecia o museu até há pouco tempo. O que eu sei sobre a Maré é o que frequentemente vemos no noticiário sobre a violência. Foi muito bom ter a oportunidade de ler o material pesquisado e conhecer mais a história da comunidade além do que se é noticiado.
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