11- Calçadão de Campo Grande
Endereço: Rua Coronel Agostinho - Campo Grande, RJ
Aluna: Natália Campos Gonçalves
“O território não se reduz (...) à sua dimensão material ou concreta; ele é, também, ‘um campo de forças, uma teia ou rede de relações sociais’ que se projetam no espaço. É construído historicamente, remetendo a diferentes contextos e escalas [...].”¹. Assim se faz território; não de apenas espaço, mas de relações. E existem aqueles espaços de maiores significados e que desempenham maiores influências nestas relações e na construção de determinados territórios.
Ponto de referência, lugar de construção de memória, de encontros e desencontros, lugar de comprar e de adotar, de relação entre indivíduo e espaço apropriado... O Calçadão de Campo Grande é parte integrante da construção da identidade do bairro e de sua população.
Campo Grande é o maior e mais populoso bairro do Rio de Janeiro e por muitos anos não possuía nenhum shopping, assim a Rua Coronel Agostinho, o Calçadão, acabou sendo transformado em um “shopping a céu aberto” e é uma das maiores áreas de comércio de rua da capital carioca.
Diversos bairros do Rio de Janeiro possuem seus “calçadões”, porém o calçadão de Campo Grande é tido como referência devido às grandes proporções que o bairro possui. Sendo o maior bairro do Rio de Janeiro, sua área de comércio é utilizada pela população dos bairros menores mais próximos como, Santa Cruz, Cosmos, Paciência, e outros.
O Calçadão se constitui como área de comércio, mas também como fenômeno, pois abraça as relações que se dá entre espaço e indivíduos. Além de seu caráter econômico e social, também, nele se dá manifestações culturais e até mesmo políticas – em época de eleição o espaço é amplamente usado para a promoção dos candidatos.
Desta forma, faz-se a relação do lugar com as pessoas. O Calçadão é para obrigatório para quem passa por Campo Grande e lugar do cotidiano de todo campo grandense.
A construção do território revela a história do fenômeno-“objeto”. Mas o sentimento de pertencimento depende da história do sujeito com o fenômeno. E assim, a história se inicia, quando a história de um se cruza com a do outro.
Mudei-me para o Rio de Janeiro em dezembro de 2011, no entanto sempre tive relação com o estado, devido às viagens para a casa de parentes que aqui moram. Mas nunca vinha a Campo Grande, pois não tenho familiares neste bairro. No entanto, ao mudar-me para o Rio, havia uma tia muito próxima morando em Campo Grande e por um período moramos com ela – depois fomos morar em outro local, mas ainda no mesmo bairro, onde resido atualmente. Foi assim que tive meu primeiro contato e experiência com o Calçadão de Campo Grande.
Minha família tem como tradição todo final de ano realizar um “amigo da onça” – um tipo de “amigo oculto”, porém os presentes são coisas que as pessoas odeiam – e em 2011 fizemos no Rio de Janeiro, na casa onde estávamos morando, e todos fomos ao Calçadão comprar os presentes e enfeites para a comemoração. A partir de então o Calçadão faz parte de meu cotidiano, de minha família que aqui mora e daqueles que vem nos visitar. Não apenas do cotidiano, mas da história e, até mesmo, do vocabulário.
Faz parte integral da vida e do vocabulário de todo morado de Campo Grande, e dos bairros próximos a relação com o Calçadão. Para muitos seu significado transpõe as simples relações externas, uma vez que dependem deste local para ganhar dinheiro e sobreviver e sustentar suas famílias, ou ainda, existem aqueles que ali moram, pessoas em situações de rua que estabelecem com esse local-fenômeno uma relação, para nós, intangível e inimaginável.
O desenvolvimento da relação, da construção da identidade e da memória com um determinado local, começa quando indivíduo e lugar se encontram e permeiam-se. Coletivamente o Calçadão de Campo Grande é mais do que uma área de comércio, pois já não se trata apenas da relação econômica, a relação se expande e com ela os significados permeando a vida social, cultural e linguística.
REFERÊNCIAS
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rua_Coronel_Agostinho - Visitado em 25.10.17 às 21:40
https://extra.globo.com/noticias/rio/zona-oeste/calcadao-de-campo-grande-uma-passarela-em-transformacao-5827843.html - Visitado em 20.10.17 às 17:30
Considerações do grupo:
Débora: Não conhecia o calçadão de Campo Grande. Em primeiro lugar, fiquei surpresa ao saber que o bairro é o maior do Rio. Com a pesquisa foi possível perceber o quanto o calçadão representa não apenas para os moradores de Campo Grande, mas também para os outros bairros que também criaram uma relação de pertencimento e representação com esse lugar.Após a pesquisa foi possível entender a importância do Calçadão não só para Campo Grande, Santa Cruz, Cosmos e Paciência como para todo o Rio de Janeiro.
Gabriella: Assim como nos comentários da Débora e da Nicole, pode-se perceber que para a Natália a área que ela escolheu tem uma função muito grande na vida dela, sendo esse um dos primeiros contatos com a nova vida que ela a partir de agora ia levar com o Rio de Janeiro; é interessante ver como mesmo sendo difícil a adaptação a novos espaços como Campo grande abraçou a Natália e marcou a vida dela de forma positiva. Eu ainda não tive a oportunidade de conhecer esse local mas em breve terei.
Isabel: Não conheço o Calçadão, nem Campo Grande. Achei bastante semelhante ao o Mercadão de Madureira, pela sua importância para a população devido às manifestações culturais que o tornam bem diversificado por conta dos visitantes de outros bairros e pelos laços que ali podem ser construídos
Isabela: Nunca havia ouvido falar do Calçadão, mas segundo o relato da Natália, me leva a lembrar das ruas de Caxias ou até mesmo Madureira. Um grande local, com uma imensa diversidade de produtos, de comércio, um lugar para se encontrar e fazer compras em família. Agora que conheço tenho vontade de visitar, explorar e ter minhas próprias experiências.
Júlia: Conhecia o Calçadão de Campo Grande mas nunca o visitei, mas o penso como o Mercadão de Madureira ou ao SAARA no Centro, tendo em vista a sua variedade de produtos, bom preço e a constante visita para a compra de “lembrancinhas”. Gostaria muito de visitar um dia devido a sua importância local e a grande variedade cultural e de comércio existente nele.
Larissa: Por conta da distância, nunca visitei o Calçadão de Campo Grande, mas a pesquisa feita pela Natália me fez ver sua importância comercial e cultural para a cidade do Rio de Janeiro.
Nicole: Minha mãe foi criada e boa parte da família ainda mora em Campo Grande, então sempre fui muito lá. O Calçadão me traz memórias de família desde comemorações com tudo comprado nele até a infinita quantidade de vezes que ouvi alguém me dizer “vamos lá fora comprar (...)”. O Calçadão de Campo Grande é mais que comércio, é emocional também.
Pedro: Nunca fui, mas é inegável a importância de um lugar de encontro cultural e social dentro dos bairros mais afastados do centro da cidade.
Rayssa: não conheço o local, mas por ter morado em Nilópolis e atualmente em Madureira, imagino que seja parecido com as áreas de comércio intenso que conheço. Estes locais sempre são muito marcantes nas regiões em que estão pelo seu movimento e utilidade.
Rayssa: não conheço o local, mas por ter morado em Nilópolis e atualmente em Madureira, imagino que seja parecido com as áreas de comércio intenso que conheço. Estes locais sempre são muito marcantes nas regiões em que estão pelo seu movimento e utilidade.
Thiago: Sempre ouvi falar de Campo Grande e do calçadão, mas não tive a oportunidade de conhecê-lo. Podemos perceber que assim como o Mercadão, o calçadão de Campo Grande exerce um papel importante para a região. Percebemos que é o principal pólo econômico e de comércio da região fazendo com que até pessoas de localidades um pouco distantes vá até ele para então poder exercer atividades relativas ao comércio.
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